# Indígenas Ashaninka vão a Brasília pedir proteção após facções invadirem território no Acre

> Lideranças Ashaninka estão em Brasília para solicitar proteção federal após facções criminosas invadirem o território indígena no Acre. A comitiva cobra medidas permanentes de segurança e cooperação internacional para garantir a integridade do povo Ashaninka diante da violência armada.

*Pacha Floripa · Destinos Nacionais · 23 de julho de 2026 · Tatiana Reis*

Uma comitiva de quatro lideranças do povo Ashaninka está em Brasília para pedir socorro ao governo federal após ataque violento ao seu território no Acre. Eles cobram proteção permanente e cooperação internacional.

## Indígenas Ashaninka vão a Brasília pedir proteção após facções invadirem território no Acre

Quatro lideranças do povo Ashaninka chegaram a Brasília nesta semana para pedir socorro ao governo federal. O objetivo é garantir proteção permanente às comunidades e pressionar por uma ação conjunta entre Brasil e Peru. O pedido ocorre após um ataque violento ao território indígena no Acre.

No dia seis de julho, cinco homens encapuzados e armados com fuzis invadiram a Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, em Marechal Thaumaturgo. A incursão visava intimidar a população local e capturar lideranças indígenas, conforme denúncia publicada pelo jornal O Globo.

## Por que a presença militar não resolve o problema?

Em resposta ao ataque, o Exército enviou o 61º Batalhão de Infantaria de Selva, com apoio do Grupo Especial de Operações em Fronteira (Gefron) e da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública do Acre (Sejusp). O reforço, porém, foi temporário e ostensivo.

Os Ashaninka afirmam que a presença militar pontual não resolve a crise estrutural que afeta a região. Eles alertam que a ação das forças armadas não impede a continuidade das investidas de facções criminosas.

Francisco Piyãko, coordenador-geral da Organização dos Povos Indígenas do Rio Juruá (OPIRJ), declarou em entrevista ao O Globo que "enfrentamos pela primeira vez o narcotráfico unido aos crimes ambientais em nosso território, mas a resposta do Estado não pode ser feita de missões pontuais. Precisamos de presença permanente e cooperação internacional antes que a violência nos engula".

## A rota do crime: estradas ilegais e narcotráfico

A pressão sobre o território acreano tem origem no aumento da criminalidade no departamento peruano de Ucayali, onde o cultivo da folha de coca triplicou nos últimos cinco anos. Vias clandestinas, chamadas de "estradas-vírus", como a rodovia ilegal UC-105, cortam mais de 240 cursos d'água que deságuam no Rio Juruá, funcionando como corredor logístico para armas, drogas e madeira ilegal.

Com 350 mil hectares, a Terra Indígena Kampa do Rio Amônia integra um corredor ecológico de 3,5 milhões de hectares no Alto Juruá, ao lado do Parque Nacional da Serra do Divisor e da Reserva Extrativista Alto Juruá, reforçando sua importância ambiental.

## O que a comitiva Ashaninka busca em Brasília?

Em Brasília, a comitiva mantém encontros no Ministério dos Povos Indígenas (MPI), no Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), no Ministério das Relações Exteriores (MRE), na Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), na Presidência da República e na Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA).

O objetivo central é a criação e execução imediata de um plano de ação binacional permanente, que una inteligência, fiscalização de fronteira e proteção efetiva às populações originárias e às comunidades tradicionais da floresta.

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## Perguntas Frequentes

### Quem são os Ashaninka?

Os Ashaninka são um povo indígena que habita a região do Alto Juruá, na fronteira entre Brasil e Peru. Eles vivem na Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, em Marechal Thaumaturgo (AC).

### O que aconteceu no dia 6 de julho?

Cinco homens encapuzados e armados com fuzis invadiram a Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, visando intimidar a população local e capturar lideranças indígenas.

### Qual foi a resposta do governo?

O Exército enviou o 61º Batalhão de Infantaria de Selva, com apoio do Gefron e da Sejusp, mas o reforço foi temporário e ostensivo.

### O que a comitiva pede em Brasília?

Eles pedem a criação de um plano de ação binacional permanente entre Brasil e Peru, com inteligência, fiscalização de fronteira e proteção efetiva.

### Por que a região é estratégica para o crime?

O cultivo de coca triplicou no departamento peruano de Ucayali nos últimos cinco anos, e estradas ilegais como a UC-105 servem como corredor para armas, drogas e madeira ilegal.

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Fonte (canonical): https://pachafloripa.com.br/destinos-nacionais/indigenas-vao-brasilia-pedir-rotecao-apos-faccoes-invadirem-territorio-acre/
