Indígenas Ashaninka vão a Brasília pedir proteção após facções invadirem território no Acre
Quatro lideranças do povo Ashaninka chegaram a Brasília nesta semana para pedir socorro ao governo federal. O objetivo é garantir proteção permanente às comunidades e pressionar por uma ação conjunta entre Brasil e Peru. O pedido ocorre após um ataque violento ao território indígena no Acre.
No dia seis de julho, cinco homens encapuzados e armados com fuzis invadiram a Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, em Marechal Thaumaturgo. A incursão visava intimidar a população local e capturar lideranças indígenas, conforme denúncia publicada pelo jornal O Globo.
Por que a presença militar não resolve o problema?
Em resposta ao ataque, o Exército enviou o 61º Batalhão de Infantaria de Selva, com apoio do Grupo Especial de Operações em Fronteira (Gefron) e da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública do Acre (Sejusp). O reforço, porém, foi temporário e ostensivo.
Os Ashaninka afirmam que a presença militar pontual não resolve a crise estrutural que afeta a região. Eles alertam que a ação das forças armadas não impede a continuidade das investidas de facções criminosas.
Francisco Piyãko, coordenador-geral da Organização dos Povos Indígenas do Rio Juruá (OPIRJ), declarou em entrevista ao O Globo que "enfrentamos pela primeira vez o narcotráfico unido aos crimes ambientais em nosso território, mas a resposta do Estado não pode ser feita de missões pontuais. Precisamos de presença permanente e cooperação internacional antes que a violência nos engula".
A rota do crime: estradas ilegais e narcotráfico
A pressão sobre o território acreano tem origem no aumento da criminalidade no departamento peruano de Ucayali, onde o cultivo da folha de coca triplicou nos últimos cinco anos. Vias clandestinas, chamadas de "estradas-vírus", como a rodovia ilegal UC-105, cortam mais de 240 cursos d'água que deságuam no Rio Juruá, funcionando como corredor logístico para armas, drogas e madeira ilegal.
Com 350 mil hectares, a Terra Indígena Kampa do Rio Amônia integra um corredor ecológico de 3,5 milhões de hectares no Alto Juruá, ao lado do Parque Nacional da Serra do Divisor e da Reserva Extrativista Alto Juruá, reforçando sua importância ambiental.
O que a comitiva Ashaninka busca em Brasília?
Em Brasília, a comitiva mantém encontros no Ministério dos Povos Indígenas (MPI), no Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), no Ministério das Relações Exteriores (MRE), na Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), na Presidência da República e na Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA).
O objetivo central é a criação e execução imediata de um plano de ação binacional permanente, que una inteligência, fiscalização de fronteira e proteção efetiva às populações originárias e às comunidades tradicionais da floresta.
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Perguntas Frequentes
Quem são os Ashaninka?
Os Ashaninka são um povo indígena que habita a região do Alto Juruá, na fronteira entre Brasil e Peru. Eles vivem na Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, em Marechal Thaumaturgo (AC).
O que aconteceu no dia 6 de julho?
Cinco homens encapuzados e armados com fuzis invadiram a Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, visando intimidar a população local e capturar lideranças indígenas.
Qual foi a resposta do governo?
O Exército enviou o 61º Batalhão de Infantaria de Selva, com apoio do Gefron e da Sejusp, mas o reforço foi temporário e ostensivo.
O que a comitiva pede em Brasília?
Eles pedem a criação de um plano de ação binacional permanente entre Brasil e Peru, com inteligência, fiscalização de fronteira e proteção efetiva.
Por que a região é estratégica para o crime?
O cultivo de coca triplicou no departamento peruano de Ucayali nos últimos cinco anos, e estradas ilegais como a UC-105 servem como corredor para armas, drogas e madeira ilegal.
