O bichinho de pelúcia favorito do seu filho pode carregar algo além de fofura
Um estudo publicado na revista Journal of Exposure Science & Environmental Epidemiology investigou se os brinquedos macios que acompanham bebês podem liberar PFAS. Os pesquisadores analisaram 18 bichos de pelúcia comercializados na Europa para crianças de até três anos.
Para reproduzir a situação de mordida ou sucção, foram retirados pequenos trechos de orelhas, patas e asas e expostos a saliva artificial. Em seguida, verificou-se a migração de substâncias do grupo dos PFAS do tecido para o líquido.
Os PFAS são milhares de componentes sintéticos usados desde a década de 1950 para tornar materiais resistentes à água, à gordura e ao calor. Por permanecerem no ambiente por longos períodos, receberam o apelido de químicos eternos.
Investigações anteriores associam a exposição a alguns PFAS a alterações no sistema imunológico, elevações no colesterol e outros efeitos adversos à saúde. Crianças pequenas são foco especial porque costumam levar objetos à boca com frequência e ainda desenvolvem mecanismos de eliminação ainda incipientes.
A análise detectou PFAS em todos os 18 bichos de pelúcia, embora a quantidade liberada tenha variado consideravelmente entre os produtos. Na maioria das amostras, a concentração encontrada nas condições simuladas foi baixa.
Em alguns casos, porém, os níveis foram mais elevados, indicando que nem todos os brinquedos apresentam o mesmo comportamento de liberação. Essa heterogeneidade aponta para diferenças na composição dos tecidos e nos processos de fabricação.
Os pesquisadores repetiram os testes após lavar os tecidos apenas com água, sem detergente. Em grande parte dos brinquedos, a lavagem reduziu a quantidade de PFAS que migrou para a saliva artificial, mas a diminuição não foi uniforme. Em algumas amostras a redução foi expressiva, enquanto em outras praticamente não houve mudança. Em raras situações, a migração aumentou.
Os resultados sugerem que a simples lavagem pode atenuar a liberação de certos PFAS, mas não garante a eliminação completa do risco. Ainda não se conhece o impacto real dessa exposição na saúde das crianças que utilizam esses brinquedos.
