Camelôs protestam contra programa da prefeitura no Rio nesta quarta-feira, dia 15 de junho de 2026. A manifestação, que ocorre na Cinelândia, reúne centenas de ambulantes que pedem a suspensão do programa "Rio Ordem e Progresso", lançado pela gestão municipal. O plano prevê a remoção de barracas irregulares e a criação de um cadastro único para permissionários, mas a categoria alega falta de diálogo e risco de desemprego em massa.
O programa "Rio Ordem e Progresso" foi anunciado pela prefeitura em maio de 2026, com o objetivo de organizar o comércio popular nas ruas da cidade. Segundo a administração municipal, a medida busca combater a ilegalidade e garantir mais segurança para consumidores e comerciantes. A prefeitura afirma que o cadastro único vai dar mais transparência e que os camelôs regularizados terão prioridade em novas áreas de atuação.
Mas os camelôs discordam. Eles protestam contra o programa da prefeitura no Rio porque acreditam que o plano não oferece alternativas reais de trabalho. "Não fomos ouvidos. O programa vai tirar o sustento de famílias inteiras", diz Maria dos Santos, presidente da Associação dos Camelôs do Rio de Janeiro (Acam-RJ), em entrevista à imprensa local. A categoria estima que cerca de 30 mil ambulantes atuam na cidade, muitos deles sem qualquer registro formal.
Por que os camelôs protestam contra o programa da prefeitura?
Os manifestantes listam três pontos principais de insatisfação:
- Falta de diálogo prévio: a categoria afirma que não foi consultada sobre as regras do cadastro único nem sobre as áreas de remoção.
- Risco de exclusão: muitos ambulantes não têm documentação ou condições de se regularizar, o que os deixaria sem opção.
- Ausência de alternativas: o programa não prevê linhas de crédito ou apoio para transição para a formalidade.
A prefeitura, por outro lado, rebate. Em nota, a Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop) afirma que o programa foi construído com base em estudos técnicos e que haverá um período de adaptação de 90 dias para os camelôs se adequarem. A Seop também diz que vai oferecer cursos de capacitação profissional para quem quiser migrar para outras atividades.
O que está em jogo no comércio popular do Rio
O comércio ambulante no Rio de Janeiro é uma realidade há décadas. Dados do Instituto Municipal de Urbanismo Pereira Passos indicam que, em 2025, havia mais de 15 mil camelôs cadastrados na cidade, mas a estimativa não oficial chega a 40 mil. A atividade movimenta cerca de R$ 1,2 bilhão por ano, segundo a Acam-RJ.
A prefeitura argumenta que o programa vai trazer mais ordem e segurança jurídica. "Queremos que o comércio popular seja feito dentro da lei, com respeito ao espaço público e ao consumidor", disse o prefeito em coletiva de imprensa no início do mês.
Mas os camelôs temem que a medida seja, na prática, uma forma de eliminar a informalidade sem dar alternativas. "Não somos contra a organização, mas contra a exclusão", reforça Maria dos Santos.
Como fica a situação para o consumidor
Quem compra nas ruas do Rio pode sentir os efeitos do protesto e do programa. Durante a manifestação, o trânsito no centro da cidade ficou parcialmente interditado, e algumas barracas foram fechadas preventivamente. A orientação é que o consumidor fique atento às novas regras: a partir de agosto, apenas camelôs com cadastro poderão atuar em áreas autorizadas.
Para quem depende do comércio popular, a dica é buscar os ambulantes que já estão se regularizando. Muitos estão montando associações e cooperativas para atender às exigências da prefeitura como se regularizar como camelô no Rio.
Próximos passos do protesto
A categoria promete novas manifestações caso a prefeitura não abra negociação. Uma reunião entre representantes dos camelôs e a Seop está marcada para a próxima segunda-feira, dia 20 de junho. Até lá, os ambulantes seguem mobilizados.
Perguntas Frequentes
Por que os camelôs estão protestando no Rio?
Eles protestam contra o programa "Rio Ordem e Progresso", que prevê a remoção de barracas irregulares e a criação de um cadastro único. A categoria alega falta de diálogo e risco de desemprego.
O que a prefeitura do Rio diz sobre o protesto?
A prefeitura afirma que o programa foi feito com base em estudos, que haverá um período de adaptação de 90 dias e que oferecerá cursos de capacitação para os camelôs.
Quantos camelôs existem no Rio de Janeiro?
Estimativas indicam entre 15 mil e 40 mil ambulantes, dependendo da fonte. A prefeitura tem um cadastro com cerca de 15 mil permissionários.
O que muda para o consumidor com o novo programa?
A partir de agosto, apenas camelôs cadastrados poderão atuar em áreas autorizadas. O consumidor deve buscar ambulantes regularizados para garantir a procedência dos produtos.
Haverá novas manifestações?
Sim. A categoria promete novos protestos se não houver negociação. Uma reunião com a Seop está marcada para 20 de junho.

