Visitar a Fortaleza de Santa Cruz, na Ilha de Anhatomirim, sem guia é um programa que exige mais preparo do que parece. Não há catamarã turístico nem placa na entrada da baía. Você precisa de barco próprio ou alugado, conhecimento básico de navegação e respeito às regras de segurança. Eu já fiz essa rota algumas vezes e, se você seguir os passos abaixo, chega lá sem susto.
Passo 1: Escolha o barco certo e verifique as condições do mar
A Fortaleza de Santa Cruz fica na Ilha de Anhatomirim, a cerca de 30 minutos de barco do Centro de Florianópolis. Se você não tem embarcação própria, alugue uma com motor de popa de pelo menos 15 HP, botes a remo ou veleiros muito pequenos não são recomendados para a travessia do canal da Barra Sul, que tem correnteza forte. Antes de sair, consulte a previsão do vento e da ondulação no site da Marinha (tábua de marés). Evite dias com vento Sul ou Sudeste acima de 15 nós; a baía fica abrigada, mas o canal de acesso pode ficar picado.
Erro comum: subestimar a correnteza na entrada da Baía dos Golfinhos. Já vi barqueiros novatos serem levados para as pedras do lado Norte. Mantenha velocidade constante e não corte caminho por dentro dos lajedos.
Passo 2: Navegue até a Baía dos Golfinhos e atracadouro oficial
De Florianópolis, siga rumo ao Norte magnético até avistar o forte no alto do morro. A entrada da Baía dos Golfinhos é bem marcada por duas boias verdes (boreste). Não entre por outro lado, há bancos de areia e pedras submersas. O píer de atracação fica no lado Leste da ilha, próximo à rampa de concreto. A profundidade no local é de cerca de 2 metros na maré baixa; barcos com calado maior que 1 metro devem fundear mais afastados e usar o dingue.
Dica: amarre as defensas antes de se aproximar. O píer tem cais de pedra e, com ondas de través, é fácil raspar a lateral.
Passo 3: Desembarque com segurança e siga a trilha sinalizada
Ao desembarcar, você verá uma placa informativa do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) com o mapa da ilha. A trilha principal até a fortaleza tem cerca de 400 metros, com subida íngreme nos primeiros 100 metros. Use calçado fechado com sola antiderrapante, o piso é de pedra irregular e, depois de chuva, fica escorregadio. Não há guarda-corpo em alguns trechos; crianças pequenas devem ir de mão dada.
Erro comum: achar que a trilha é curta e ir de chinelo. Já atendi um visitante que torceu o tornozelo na descida. Tênis é obrigatório.
Passo 4: Explore a fortaleza por conta própria, o que ver e o que evitar
A Fortaleza de Santa Cruz é composta por três baterias de canhões, a capela de Nossa Senhora do Rosário, o paiol de pólvora e as antigas celas. Não há guias nem placas explicativas detalhadas, então leve um roteiro impresso ou baixe o aplicativo do IPHAN (disponível para Android e iOS). As áreas abertas ao público são todas sinalizadas com faixas amarelas; não ultrapasse as cordas, há poços e desabamentos internos. O forte fica aberto todos os dias, das 8h às 18h, sem cobrança de ingresso.
Dica: chegue cedo (antes das 10h) para evitar o sol forte e o movimento de outros barcos. O lado Oeste da muralha tem sombra até o meio-dia e uma vista excelente da Baía dos Golfinhos.
Passo 5: Retorno e checklist de segurança
Antes de zarpar de volta, verifique se não deixou lixo na ilha (não há lixeiras no forte) e se a maré não baixou demais para seu calado. O retorno segue a mesma rota de entrada. Se o vento aumentou durante a visita, reduza a velocidade ao cruzar o canal.
Checklist rápido:
- Barco com motor de 15 HP ou mais
- Calçado fechado e protetor solar
- Água potável (não há fonte na ilha)
- Aplicativo do IPHAN baixado
- Tábua de marés consultada
- Defensas e cabos de amarração
Perguntas Frequentes
Preciso de autorização para visitar a Fortaleza de Santa Cruz?
Não. A visita é livre e gratuita, sem necessidade de agendamento. Basta desembarcar no píer oficial da Ilha de Anhatomirim e seguir a trilha. O IPHAN mantém o local aberto diariamente, das 8h às 18h.
Posso visitar a fortaleza de caiaque ou stand-up paddle?
Sim, mas com restrições. A travessia do canal da Barra Sul exige preparo físico e conhecimento de correnteza. Só recomendo para remadores experientes, em dia de mar calmo (ondas abaixo de 0,5 m). O desembarque no píer é fácil, mas o caiaque precisa ser amarrado em local seguro.
Existe algum custo para entrar na fortaleza?
Não. A fortaleza é patrimônio histórico administrado pelo IPHAN e não cobra ingresso. O único custo é com o transporte até a ilha, combustível do barco ou aluguel da embarcação.
Quanto tempo leva a visita completa?
Conte com 1h30 a 2h para percorrer a trilha, explorar as baterias e a capela, e tirar fotos. Se quiser fazer piquenique na área gramada ao lado do píer, some mais 30 minutos. Não há restaurante ou lanchonete na ilha.
É seguro ir com crianças pequenas?
Sim, desde que supervisionadas o tempo todo. A trilha tem trechos íngremes e sem guarda-corpo. Crianças menores de 5 anos devem ir de mochila de transporte ou no colo nos pontos mais estreitos. Leve repelente e água extra.
O que fazer se o tempo fechar durante a visita?
Fique na fortaleza até a melhora, as muralhas oferecem abrigo contra vento e chuva. Nunca tente voltar com mar agitado se sua embarcação for pequena. Aguarde e, se necessário, peça auxílio pelo canal de emergência 186 (Marinha) ou para outro barqueiro na baía.
