Pesquisa mostra que vacinação diminuiu prevalência de HPV entre jovens
Uma pesquisa realizada no Brasil aponta que a vacinação contra o HPV resultou em uma redução significativa da prevalência do vírus entre jovens de 16 a 25 anos. O estudo, considerado o maior sobre a eficácia do imunizante na América Latina, revelou que a prevalência dos principais tipos de HPV caiu de 14,98% para 7,95% entre 2016 e 2023.
A pesquisa, intitulada Pop-Brasil, foi conduzida pelo Hospital Moinhos de Vento em parceria com o Ministério da Saúde. Na primeira fase, foram analisadas amostras de 6.388 participantes não vacinados. Na segunda fase, o número de participantes aumentou para mais de 10 mil, incluindo vacinados e não vacinados. Os dados foram coletados em unidades de saúde.
O foco do estudo foram jovens de 16 a 25 anos, conforme ressaltou a médica epidemiologista e líder da pesquisa, Eliana Wendland: "Essa faixa etária é a que tem a maior prevalência de HPV, porque é o início da atividade sexual. Essa faixa etária também foi escolhida porque todo mundo ali já deveria ter sido vacinado".
Entretanto, os dados mostram que apenas 61,8% das meninas e mulheres participantes estavam vacinadas, enquanto a taxa entre os homens foi ainda menor, com apenas 31,1% de cobertura. O ideal, segundo especialistas, seria uma taxa de 90%.
Apesar das taxas de vacinação abaixo do ideal, a eficácia do imunizante é evidente. Para as meninas e mulheres vacinadas, a prevalência dos tipos de HPV cobertos pela vacina caiu de 15,6% para 3,1% entre as duas fases do estudo. Além disso, a pesquisa identificou um efeito populacional positivo da vacinação, onde até mesmo as não vacinadas apresentaram uma diminuição na prevalência de HPV.
Eliana explicou que a vacinação em altas coberturas diminui a circulação do vírus, proporcionando proteção indireta à população. Entre as não vacinadas, a prevalência foi de 10,5% na segunda fase.
Nos homens, a prevalência dos subtipos do vírus também caiu de 13,8% para 4,6% entre os vacinados, mas não houve mudança significativa entre os não vacinados. A baixa cobertura vacinal entre os meninos é uma preocupação constante, já que eles recebem menos incentivo para se vacinar.
Outro dado relevante é que, no geral, a prevalência de HPV na população aumentou de 46,7% para 56,6% entre as duas fases da pesquisa, exceto para os quatro subtipos combatidos pela vacina.
A pesquisa também sugere que o esquema vacinal atual oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que agora inclui apenas uma dose, é eficaz, pois não houve diferença na prevalência entre aqueles que receberam uma, duas ou três doses.
A vacinação contra o HPV começou em 2014, inicialmente apenas para meninas, e em 2017 passou a incluir meninos. A partir de 2024, o esquema básico mudou para uma única dose, e atualmente, o público-alvo é composto por crianças e adolescentes de 9 a 14 anos, além de adultos vulneráveis.
O HPV é o principal causador do câncer do colo do útero e também pode afetar outros órgãos como pênis e ânus. A vacina disponibilizada no SUS protege contra os quatro principais tipos oncogênicos.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Agencia Brasil por Tâmara Freire - Repórter da Agência Brasil.
