# Relatório denuncia violência em ações policiais na Baixada Fluminense

> O relatório da Iniciativa Direito à Memória e Justiça Racial (IDMJRacial) denuncia 282 mortes em operações policiais na Baixada Fluminense entre 2020 e 2025. O estudo, baseado em dados das polícias Civil e Militar, registrou 5.298 operações, 5.783 presos e 652 feridos no período.

*Pacha Floripa · Dicas de Viagem · 24 de julho de 2026 · André Schmitt*

Um relatório da Iniciativa Direito à Memória e Justiça Racial (IDMJRacial) denuncia que operações policiais na Baixada Fluminense resultaram em 282 mortes entre 2020 e 2025. Com base em dados das polícias Civil e Militar, o estudo revela 5.298 operações, 5.783 presos e 652 ferido

## Relatório denuncia violência em ações policiais na Baixada Fluminense

Um levantamento da Iniciativa Direito à Memória e Justiça Racial (IDMJRacial), divulgado nesta sexta-feira (24), denuncia que operações policiais na Baixada Fluminense, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, deixaram 282 mortos entre 2020 e 2025. Com base em dados de redes sociais da Polícia Civil e da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, a organização não governamental contabilizou 5.298 operações, nas quais também houve 5.783 presos e 652 feridos. As ações resultaram ainda na apreensão de 41 adolescentes.

A IDMJRacial é uma organização nascida na Baixada Fluminense, com sete anos de atuação, focada no enfrentamento à violência do Estado, à violência policial e ao racismo estrutural.

## Como a violência policial afeta a população da Baixada

Para a mestre em sociologia e pesquisadora da IDMJRacial Kharine Gil, os números evidenciam o modus operandi do Estado nos territórios favelados e periféricos. "É preciso ver além da propaganda sobre as operações policiais na segurança pública e entender o que elas trazem de fato para a população submetida a esse tipo de ação violenta, e até mesmo saber se elas são efetivas dentro do que elas se propõem", afirmou.

A maioria das ações (86%) foi realizada pela Polícia Militar, responsável pelo policiamento ostensivo e repressivo. As outras 14% foram da Polícia Civil.

## Batalhões com mais operações e mortes

O dossiê aponta que o 15º Batalhão da PM, em Duque de Caxias, foi responsável por 1.289 ações, resultando em 71 mortes e 142 feridos em cinco anos. O 20º BPM, que abrange Mesquita, Nova Iguaçu e Nilópolis, fez 1.034 operações, com 51 mortes e 156 feridos. Já o 39º Batalhão, de Belford Roxo, realizou 569 ações, com 45 mortes e 120 feridos.

## Resposta da Polícia Militar

Por meio de nota, a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado de Polícia Militar informou que a corporação não comenta dados ou levantamentos produzidos por instituições externas que não utilizem a base oficial de registros da Polícia Militar. Apesar disso, a secretaria afirma que a Polícia Militar emprega seu efetivo com base em critérios técnicos, estratégicos e de inteligência, considerando indicadores criminais, análises de risco, demandas operacionais e a necessidade de preservação da ordem pública em cada região do estado.

A corporação informou ainda que "as áreas que recebem maior incidência de operações são justamente aquelas que apresentam maiores índices de violência e atuação de organizações criminosas fortemente armadas, responsáveis por disputas territoriais, ataques às forças de segurança e graves impactos à população local". A PM ressalta que toda intervenção policial deve observar os protocolos operacionais vigentes e a legislação, sendo eventuais ocorrências com resultado de morte rigorosamente apuradas pelos órgãos competentes.

## Aumento da letalidade da Polícia Civil

O relatório aponta que houve um aumento das operações da Polícia Civil na Baixada Fluminense, onde também cresceu a letalidade policial. Em 2020, o relatório identifica 47 ações policiais realizadas pela Civil na região, número que aumentou até 2024, quando foram 336 ações, uma alta de 614%. De 2020 a 2025, o índice de letalidade policial também cresceu. Em 2024, a instituição realizou 336 operações, com o índice de letalidade em 2%. No ano seguinte, o número de operações diminuiu para 66, mas a letalidade subiu para 18%.

O documento observa que cada ação da Polícia Civil foi proporcionalmente mais letal que as da Polícia Militar. Em 2025, das 66 ações realizadas, 12 terminaram com pelo menos uma morte. "A queda na quantidade de operações não significa que menos vidas estão sendo perdidas, mas, sim, que as operações são mais concentradas e mais letais. Entendemos que a redução de operações não reduz a violência de Estado", afirma o relatório.

## Resposta da Polícia Civil

Em resposta, a Polícia Civil atribuiu o aumento à retomada plena das atividades policiais após as restrições impostas durante a pandemia e à recente criação de delegacias especializadas na Baixada Fluminense. Segundo a corporação, o objetivo dessas ações é cumprir mandados judiciais, prender criminosos e proteger a população. A Polícia Civil afirmou que não planeja confrontos, mas operações de polícia judiciária. "Quando há rendição, há prisão; quando há ataque com armas de guerra, a resposta policial ocorre nos estritos limites da lei", afirma a nota.

## Apreensões de motos e armas

O relatório aponta ainda a predominância das apreensões de motocicletas entre os veículos retirados de circulação nas operações. Dos veículos confiscados ao longo dos cinco anos na Baixada Fluminense, motos foram apreendidas em 60% das ações, seguidas por carros (20%), caminhões (15%) e vans (5%).

O diretor executivo da IDMJRacial, Fransergio Goulart, diz que o crescimento das apreensões de motos evidencia como a política de segurança pública incide sobre a economia popular. Ele argumenta que, em um cenário de intensificação da uberização do trabalho, em que a motocicleta é o principal ativo produtivo de milhares de entregadores, mototaxistas e trabalhadores informais, sua apreensão significa, na prática, a suspensão da capacidade de produzir renda. "Dessa forma, o controle sobre esses veículos deixa de ser apenas uma ação administrativa e passa a integrar uma dinâmica de gestão da pobreza, produzindo novos mercados e formas de extração de recursos sobre populações já precarizadas", afirma.

O documento aponta que, de 2020 a 2025, a apreensão de fuzis em operações significou apenas 5,5% do total dos artefatos recolhidos nas operações na Baixada Fluminense. Pistolas (21%) e rádios comunicadores (19,9%) estão entre os itens mais apreendidos. A socióloga Kharine Gil critica que "o Estado, para justificar operações de grande porte, costuma alegar a necessidade de enfrentamento ao 'arsenal de guerra' nas favelas". Ela conclui: "Os dados mostram que a apreensão desse tipo de armamento é pontual, visto que fuzis apareceram em apenas 5,5% das apreensões e metralhadoras, em 0,8%. O que predomina são as armas de médio porte como pistolas e revólveres. Esses dados nos fazem refletir se a violência empregada nas operações é condizente com a ameaça que o Estado alega enfrentar".

## Perguntas Frequentes

### O que é a IDMJRacial?

É a Iniciativa Direito à Memória e Justiça Racial, uma organização não governamental nascida na Baixada Fluminense, com sete anos de atuação, focada no enfrentamento à violência do Estado, à violência policial e ao racismo estrutural.

### Quantas mortes ocorreram em operações policiais na Baixada Fluminense?

Foram 282 mortos entre 2020 e 2025, segundo o levantamento.

### Qual batalhão realizou mais operações?

O 15º Batalhão da PM, em Duque de Caxias, com 1.289 ações, resultando em 71 mortes e 142 feridos.

### A letalidade da Polícia Civil aumentou?

Sim. Em 2024, a Civil realizou 336 operações com letalidade de 2%. Em 2025, foram 66 operações, mas a letalidade subiu para 18%.

### O que mais é apreendido nas operações?

Motocicletas (60% dos veículos), pistolas (21% dos artefatos) e rádios comunicadores (19,9%). Fuzis representam apenas 5,5% das apreensões.

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Fonte (canonical): https://pachafloripa.com.br/dicas-de-viagem/relatorio-denuncia-violencia-acoes-policiais-baixada-fluminense/
