Remédio injetável que previne HIV pode entrar no SUS até o fim do ano
O Sistema Único de Saúde (SUS) pode começar a oferecer ainda este ano uma nova forma de profilaxia pré-exposição (PrEP) contra o HIV, aplicada por injeção. O medicamento é o carbotegravir, que impede a replicação do vírus de forma prolongada e pode ser tomado a cada dois meses. O pedido de inclusão está em análise.
Como funciona o carbotegravir, o remédio injetável contra HIV
O carbotegravir é um antirretroviral injetável de longa duração. Diferente da PrEP oral, que exige um comprimido diário, a versão injetável mantém níveis protetores no organismo por até dois meses. Isso significa que, com uma aplicação a cada dois meses, a pessoa fica protegida contra a infecção pelo HIV sem precisar lembrar de tomar um remédio todos os dias.
A substância age bloqueando a enzima integrase, essencial para que o vírus se multiplique dentro das células. Sem essa replicação, o HIV não consegue se estabelecer no organismo. É o mesmo mecanismo de alguns medicamentos usados no tratamento de quem já vive com o vírus, mas agora aplicado à prevenção.
Quem pode se beneficiar da PrEP injetável no SUS
A PrEP é indicada para pessoas com maior risco de exposição ao HIV. Isso inclui homens que fazem sexo com homens, pessoas trans, trabalhadores do sexo, casais sorodiferentes (um parceiro vive com HIV e o outro não) e quem tem múltiplos parceiros sexuais sem uso consistente de camisinha.
A vantagem da versão injetável é a praticidade. Para quem tem dificuldade de aderir ao comprimido diário, seja por rotina, esquecimento ou efeitos colaterais, a aplicação a cada dois meses pode aumentar a eficácia da prevenção. Estudos mostram que a PrEP injetável tem eficácia igual ou superior à oral quando usada corretamente.
Quando o carbotegravir pode chegar ao SUS
O pedido de inclusão do carbotegravir no SUS está em análise. A expectativa é que a decisão saia ainda este ano. Se aprovado, o medicamento será distribuído gratuitamente nos serviços de saúde que já oferecem a PrEP oral. A incorporação depende de avaliação técnica de custo-efetividade e impacto orçamentário.
Enquanto a aprovação não sai, a PrEP oral continua disponível no SUS. Quem quiser iniciar a profilaxia deve procurar uma unidade de saúde que ofereça o serviço, passar por avaliação médica e fazer exames periódicos.
O que esperar da nova PrEP injetável
A chegada do carbotegravir ao SUS representa um avanço na prevenção combinada ao HIV. A modalidade injetável amplia as opções disponíveis e pode melhorar a adesão ao tratamento preventivo. Para a saúde pública, isso significa potencial redução de novas infecções e menor pressão sobre o sistema de saúde.
Vale lembrar que a PrEP não substitui a camisinha. O preservativo continua sendo o método mais eficaz contra outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), como sífilis, gonorreia e hepatites. A PrEP é uma ferramenta a mais, não a única.
Perguntas Frequentes
O carbotegravir já está disponível no SUS?
Ainda não. O pedido de inclusão está em análise e pode ser aprovado até o fim deste ano. Enquanto isso, a PrEP oral continua disponível.
Quantas injeções são necessárias por ano?
Como a aplicação é feita a cada dois meses, são necessárias seis doses por ano para manter a proteção contínua.
A PrEP injetável é mais eficaz que a oral?
Estudos indicam eficácia equivalente ou superior, especialmente em pessoas com dificuldade de adesão ao comprimido diário.
Quem pode tomar a PrEP injetável?
As mesmas pessoas indicadas para a PrEP oral: indivíduos com risco aumentado de exposição ao HIV, mediante avaliação médica.
A PrEP protege contra outras ISTs?
Não. A PrEP previne apenas o HIV. O uso de camisinha é essencial para proteção contra sífilis, gonorreia, HPV e outras ISTs.
