Rodoviários do Rio e empresários não chegam a acordo em nova audiência
A nova audiência de conciliação entre o Sindicato dos Rodoviários do Rio e o sindicato patronal das empresas de ônibus terminou sem acordo nesta quarta-feira (25), no Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-1). O impasse mantém a possibilidade de greve e impacta diretamente os 2,5 milhões de passageiros que dependem do sistema diariamente.
O que travou a negociação?
O principal ponto de discordância foi o reajuste salarial. Os rodoviários pedem 10% de aumento, enquanto os empresários oferecem 5,5%, abaixo da inflação acumulada. O vale-refeição também trava o diálogo: a categoria quer R$ 35 por dia; a proposta patronal é de R$ 28.
Segundo o TRT-1, as partes não apresentaram contrapropostas que aproximassem as posições. O mediador sugeriu um índice intermediário de 7,5%, mas ambas as pontas recusaram.
Outros pontos de impasse
- Plano de saúde: rodoviários exigem cobertura integral para dependentes; empresas oferecem 50%.
- Jornada de trabalho: categoria quer redução de 7h20 para 6h40 diárias, sem redução salarial.
- Multas por atraso: empresários propõem multa de 2% sobre salário em caso de atraso superior a 15 dias; sindicato rejeita.
O que dizem os rodoviários
O presidente do Sindicato dos Rodoviários do Rio, Sebastião José, afirmou que a categoria está disposta a negociar, mas não aceita "proposta que represente perda real do poder de compra". Ele lembrou que o último reajuste, em 2024, foi de 4,5%, enquanto a inflação do período foi de 6,2%.
"A categoria não vai aceitar migalhas. Se não houver avanço, vamos para a greve", disse em nota.
A posição dos empresários
O Sindicato das Empresas de Ônibus do Rio (Rio Ônibus) alega que o setor enfrenta crise financeira. Em comunicado, a entidade afirma que a queda de 30% no número de passageiros desde 2019 inviabiliza reajustes acima da inflação.
"As empresas operam com margem apertada. Qualquer reajuste acima de 5,5% compromete a operação", diz a nota.
O que pode acontecer agora
Uma nova audiência foi marcada para a próxima quarta-feira (1º de junho). Se não houver acordo, o sindicato dos rodoviários pode deflagrar greve a partir de 5 de junho. A paralisação afetaria 143 linhas municipais e 47 intermunicipais.
O TRT-1 já sinalizou que, em caso de greve, determinará a manutenção de 70% da frota em horários de pico, conforme a Lei de Greve.
Impacto para o passageiro
- Se a greve ocorrer, a circulação será reduzida a 30% da frota normal.
- As linhas com maior demanda, como 2018 (Castelo x Penha) e 2020 (Castelo x Madureira), terão prioridade.
- A prefeitura do Rio estuda reforçar o BRT e o metrô nos horários críticos.
Perguntas Frequentes
Quando será a próxima audiência?
A próxima audiência está marcada para quarta-feira, 1º de junho, às 14h, no TRT-1.
O que os rodoviários estão pedindo?
Reajuste salarial de 10%, vale-refeição de R$ 35, plano de saúde integral e redução de jornada.
Qual a proposta dos empresários?
Reajuste de 5,5%, vale-refeição de R$ 28 e cobertura parcial de plano de saúde.
A greve pode ser evitada?
Sim, se houver acordo até 5 de junho. Caso contrário, a paralisação está autorizada.
Quantas linhas serão afetadas?
143 linhas municipais e 47 intermunicipais, totalizando 190 linhas.
O que fazer se a greve acontecer?
A prefeitura recomenda buscar alternativas como BRT, metrô ou transporte por aplicativo. A orientação é sair de casa com mais antecedência.

