# Tecnologia 3D revela besouro mais antigo que dinossauros no Ceará

> Pesquisadores brasileiros e alemães identificaram uma nova família extinta de besouros no Ceará, datada de 113 milhões de anos, anterior aos dinossauros. O estudo, publicado na Systematic Entomology, utilizou tecnologia 3D para analisar fósseis. A descoberta representa o primeiro registro da subordem Archostemata na América do Sul.

*Pacha Floripa · Dicas de Viagem · 20 de julho de 2026 · André Schmitt*

Pesquisadores brasileiros e alemães identificaram uma nova família extinta de besouros que viveu há 113 milhões de anos no Ceará. O estudo, publicado na Systematic Entomology, é o primeiro registro de Archostemata na América do Sul.

## Tecnologia 3D revela besouro mais antigo que dinossauros no Ceará

Pesquisadores brasileiros e alemães usaram microtomografia computadorizada para escanear fósseis da Bacia do Araripe, no Ceará. A tecnologia revelou estruturas internas nunca vistas, permitindo descrever três novas espécies e uma nova família de besouros, a Cratocupedidae, que viveu há 113 milhões de anos.

## O que a microtomografia revelou nos fósseis do Ceará

O estudo, publicado na revista _Systematic Entomology_, marca o primeiro registro na América do Sul de representantes dos Archostemata, um dos grupos mais antigos da evolução desses insetos. A descoberta foi feita a partir do acervo do Museu de Zoologia da USP, que incorporou os espécimes recentemente.

A aplicação do escaneamento digital em três dimensões revelou detalhes anatômicos no interior das rochas calcárias da Bacia do Araripe. Embora a superfície superior (dorsal) dos insetos estivesse visível nas rochas há anos, as características essenciais para a identificação taxonômica ficam localizadas na região inferior (ventral). A tecnologia permitiu reconstruir tridimensionalmente estruturas internas que eram inacessíveis por métodos tradicionais, como peças bucais, pernas e tórax, sem danificar o material fóssil.

## Três novas espécies e uma família inédita

A partir dos dados estruturais obtidos, os cientistas descreveram três espécies inéditas para a região. A principal delas, batizada de _Cratocupes scabrosus_, apresentou características anatômicas tão divergentes de qualquer outra linhagem conhecida que motivou a determinação de uma nova família na biologia: a Cratocupedidae. O nome combina uma referência direta à Formação Crato com o termo latino para "áspero", devido às pequenas protuberâncias no corpo do animal.

## Por que esse besouro é mais antigo que os dinossauros

A linhagem dos Archostemata possui uma história evolutiva que teve origem há mais de 300 milhões de anos, entre o final do Carbonífero e o início do Permiano, surgindo muito antes dos dinossauros. Embora tenham sido amplamente diversos e dominantes no passado geológico, esses besouros são considerados raridades biológicas na atualidade. Restam menos de 50 espécies vivas espalhadas pelo mundo.

## O que a descoberta muda na paleontologia

Até então, os registros fósseis desse grupo concentravam-se majoritariamente no antigo supercontinente da Laurásia, que englobava o que hoje corresponde à Europa, Ásia e América do Norte. Os novos achados provam que os insetos também habitavam em abundância os ecossistemas tropicais da parte ocidental de Gondwana antes da fragmentação continental. Isso demonstra o potencial de ferramentas tecnológicas avançadas para extrair dados inéditos de coleções biológicas já existentes.

## Perguntas Frequentes

### Onde foi encontrado o besouro mais antigo que os dinossauros?

Na Bacia do Araripe, no Ceará, a partir de fósseis do acervo do Museu de Zoologia da USP.

### Qual tecnologia foi usada na descoberta?

Microtomografia computadorizada, que funciona como uma escavação digital, revelando estruturas internas sem danificar o fóssil.

### Quantas novas espécies foram descritas?

Três espécies inéditas, sendo a principal a _Cratocupes scabrosus_, que deu origem a uma nova família, a Cratocupedidae.

### O que são os Archostemata?

Um dos grupos mais antigos de besouros, com origem há mais de 300 milhões de anos, antes dos dinossauros. Hoje restam menos de 50 espécies vivas.

### Por que a descoberta é importante?

Preenche uma lacuna geográfica sobre a distribuição global dos Archostemata, provando que eles habitavam os trópicos de Gondwana, e não apenas a Laurásia.

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Fonte (canonical): https://pachafloripa.com.br/dicas-de-viagem/tecnologia-3d-revela-besouro-mais-antigo-dinossauros-ceara/
