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Acre em alerta para crise hídrica com El Niño em 2026

ResumoO Acre está em alerta para crise hídrica em 2026 devido ao El Niño. O fenômeno climático eleva a temperatura do Pacífico a níveis recordes, com previsão de estiagem severa entre julho e setembro. Defesa Civil e órgãos estaduais montaram gabinete de crise para mitigar impactos.

O Acre está em alerta para uma crise hídrica provocada pelo El Niño. O fenômeno já eleva a temperatura do Pacífico a níveis recordes, e a previsão é de estiagem severa entre julho e setembro. Defesa Civil e órgãos estaduais já montaram um gabinete de crise.

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Acre em alerta para crise hídrica com El Niño em 2026
Acre em alerta para crise hídrica com El Niño em 2026Foto: Reprodução · Pacha Floripa

O Acre está em alerta para uma crise hídrica provocada pelo El Niño. O fenômeno já eleva a temperatura do Pacífico a níveis recordes, e a previsão é de estiagem severa entre julho e setembro. Defesa Civil e órgãos estaduais já montaram um gabinete de crise.

O Acre entrou em alerta para crise hídrica devido ao El Niño, que já registra temperatura recorde no Oceano Pacífico. A estiagem deve se intensificar entre julho e setembro, com chuvas abaixo da média, aumento de queimadas e risco de o Rio Acre atingir níveis críticos. A Defesa Civil já montou um gabinete de crise com 14 órgãos estaduais.

El Niño no Acre: o que está acontecendo?

O fenômeno climático El Niño vem intensificando seus efeitos em diversas partes do mundo e já acende o alerta no Acre para um cenário de estiagem prolongada, aumento das temperaturas e agravamento da crise hídrica.

O Acre está entre as áreas mais sensíveis aos impactos do fenômeno, devido ao elevado risco de incêndios florestais, vulnerabilidade ambiental, seca prolongada e calor excessivo.

A caracterização de um El Niño ocorre quando as anomalias da temperatura da superfície do mar (TSM) no Oceano Pacífico Equatorial ultrapassam 2,0°C.

O que diz a Defesa Civil de Rio Branco?

O coordenador da Defesa Civil de Rio Branco, tenente-coronel Cláudio Falcão, explicou os impactos esperados para os próximos meses e as medidas que estão sendo adotadas para minimizar os efeitos da estiagem.

Segundo Falcão, os primeiros sinais do agravamento da situação já são percebidos, principalmente em relação aos recursos hídricos.

"Ela está se agravando em relação à parte hídrica em relação à parte dos recursos naturais. Nós já temos aqui uma pesquisa que a temperatura do Oceano Pacífico, que gera o fenômeno El Ninho, ela já está maior do que qualquer outra registrada em todos os tempos. Então, nós já temos uma temperatura bastante elevada nas águas do Oceano do Pacífico, caracterizando o fenômeno El Ninho, que traz muita chuva lá para a região sul do país, enquanto que na região norte, e também onde nós estamos, diminui significativamente a quantidade de chuva", disse.

O coordenador explicou que o fenômeno ainda está em sua fase inicial, mas a previsão é de intensificação ao longo das próximas semanas.

Como está a situação dos reservatórios?

De acordo com ele, equipes da Defesa Civil de Rio Branco já realizaram vistorias em áreas rurais e identificaram que açudes, represas e outros reservatórios operam entre 30% e 40% de sua capacidade.

Ainda segundo Falcão, o município já está preparado para enfrentar os impactos da estiagem por meio de um trabalho integrado entre diversos órgãos.

"Nós estamos no início desse fenômeno, a tendência e a previsão é que ele tende a se agravar agora na segunda quinzena de julho e se agravando ainda mais nos meses subsequentes, ou seja, de agosto e setembro. Nós já fizemos aqui uma busca, fizemos diversas vistorias nas áreas rurais, principalmente para verificar a questão hídrica", informou.

Rio Acre pode repetir mínima histórica?

Em meio ao cenário de estiagem, Cláudio Falcão afirmou que existe a possibilidade de o Rio Acre voltar a registrar níveis próximos da mínima histórica de 1,23 metro, alcançada em setembro de 2024. No entanto, ele destaca que ainda é cedo para afirmar que o rio repetirá esse recorde.

O coordenador ressaltou que não é necessário atingir a mínima histórica para que a situação se torne crítica.

"Podemos chegar novamente à marca histórica? Podemos. Mas o que vale ressaltar é que nem precisa chegar na marca histórica para ficar muito ruim. Ano passado, nós ficamos com 1,37m. Já foi bem complicado. Então, não é uma certeza, mas a gente pode igualar a marca de 2024, como também pode não igualar. mas mesmo assim, quando ele baixa de um metro e meio já é crítico", disse.

Como será o abastecimento de água em Rio Branco?

Questionado sobre o abastecimento de água em Rio Branco, Falcão afirmou que a Defesa Civil e o Serviço de Água e Esgoto de Rio Branco (Saerb) já trabalham com um plano de contingência para garantir o fornecimento à população.

Segundo ele, o plano prevê intervenções no leito do Rio Acre quando o nível se aproxima de dois metros.

"Na zona rural, nós levamos caminhões pipas para poder abastecer algumas vilas e comunidades. E aqui na zona urbana, nós temos o plano de contingência que já precisa, a partir de 2 metros, 1,90 metros aproximadamente, já tem que aplicar o plano de contingência, que é aprofundar o leito do rio. E também fazer contenção através de bancos de areia, sacos de areia, de maneira que as bombas dos flutuantes possam alcançar um nível suficiente para poder puxar água. Então, a gente não vai sofrer mais por conta do plano de contingência", afirmou.

O que diz o Boletim do Painel El Niño de 2026?

O primeiro Boletim do Painel El Niño de 2026 aponta a intensificação do fenômeno climático e projeta um cenário preocupante para diversas regiões do mundo, incluindo o Acre.

O estado está inserido entre as áreas de maior sensibilidade aos efeitos do El Niño durante o trimestre de julho a setembro. Segundo o boletim, esse período será marcado por chuvas abaixo da média no Centro-Oeste brasileiro, com reflexos diretos sobre a Região Norte.

Por estar nessa faixa de maior vulnerabilidade, o Acre poderá enfrentar aumento dos incêndios florestais, maior quantidade de focos de calor, piora da qualidade do ar, seca prolongada e temperaturas acima da média.

Além disso, o cenário pode comprometer as pastagens, reduzir a produtividade da agricultura familiar, afetar a piscicultura e provocar a redução do nível dos rios, agravando a crise hídrica.

Quais medidas estão sendo tomadas?

Diante da possibilidade de uma estiagem severa, a Defesa Civil do Estado publicou, na última quinta-feira (16), a composição do Gabinete de Crise Hídrica do Estado do Acre.

Entre as atribuições do grupo estão o monitoramento permanente da situação hídrica, a articulação entre os órgãos públicos, a coordenação das medidas emergenciais e a elaboração de ações para reduzir os impactos da seca sobre a população.

A estrutura é composta por representantes de 14 órgãos estaduais, entre eles a Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre), o Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac) e o Corpo de Bombeiros Militar do Acre (CBMAC).

Perguntas Frequentes

O que causa o El Niño no Acre?

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, o que altera o regime de chuvas. No Acre, o fenômeno reduz a quantidade de chuva, provocando estiagem prolongada.

Quando a crise hídrica deve piorar?

Segundo a Defesa Civil, a tendência é de agravamento a partir da segunda quinzena de julho, com pico em agosto e setembro.

O Rio Acre vai secar como em 2024?

Há possibilidade de o rio atingir novamente a mínima histórica de 1,23 metro, mas não é certeza. O nível crítico para o abastecimento é abaixo de 1,5 metro.

Como garantir água em Rio Branco?

A Defesa Civil e o Saerb já têm um plano de contingência que inclui caminhões-pipa na zona rural e intervenções no leito do rio na zona urbana.

Quem faz parte do Gabinete de Crise Hídrica?

O grupo reúne 14 órgãos estaduais, como a Secretaria de Saúde (Sesacre), o Instituto de Meio Ambiente (Imac) e o Corpo de Bombeiros (CBMAC).

Priscila Nunes
Sobre o autor · Editora de viagem econômica

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