O que muda com a nova lei da indústria da saúde?
Sancionado nesta segunda-feira (20), o Projeto de Lei nº 2583/20 quer garantir a autonomia do Brasil na produção de medicamentos, vacinas, equipamentos e insumos médicos. A lei institui a Estratégia Nacional do Complexo Econômico-Industrial da Saúde, com foco em fortalecer a soberania nacional para lidar com emergências em saúde pública.
A resposta direta: a nova lei cria um marco para estimular a fabricação local de produtos estratégicos para o Sistema Único de Saúde (SUS), com regras para compras públicas, financiamento e regulação. Ela estabelece as Empresas Estratégicas de Saúde (EES), que terão prioridade em processos regulatórios e acesso facilitado a linhas de crédito do BNDES.
Por que o Brasil precisa de uma política para a indústria da saúde?
O projeto, aprovado recentemente pelo Congresso Nacional, foi justificado pela necessidade de ajudar o país a executar "ações e serviços de saúde, incentivando a geração de empregos qualificados e a inovação, e reduzir a dependência tecnológica e produtiva do exterior".
Na prática, a dependência externa de insumos ficou evidente durante a pandemia de covid-19, quando o Brasil enfrentou dificuldades para adquirir vacinas e equipamentos. A nova lei busca evitar que isso se repita.
Como funcionam as Empresas Estratégicas de Saúde (EES)?
A lei cria a figura das Empresas Estratégicas de Saúde (EES), que poderão receber prioridade em processos regulatórios, acesso facilitado a linhas de crédito do BNDES e outros incentivos. Para se enquadrar nessa classificação, as empresas precisarão cumprir requisitos relacionados à produção, pesquisa e inovação no país.
O presidente da Farmabrasil, associação que reúne as principais empresas da indústria farmacêutica brasileira, Reginaldo Arcuri, disse que a nova legislação será essencial para o país e que seu setor estará engajado no compromisso de desenvolver medicamentos cada vez mais inovadores.
O que dizem as autoridades sobre a lei?
Na avaliação do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, as novas regras vão favorecer a soberania brasileira. Segundo ele, durante os debates no Legislativo, o projeto se mostrou "inspirado em outros projetos que visavam a proteção de setores estratégicos, como foi o caso da Defesa".
Padilha também informou que apenas três vetos foram feitos ao projeto, nenhum de grande relevância. Um deles adequa o texto final às regras de taxação do Mercosul. Outro veto, que o ministro disse "lamentar ter de fazer", previa contrapartidas tecnológicas para importação de produtos, "Isso poderia atrapalhar investimentos", argumentou. O terceiro veto está relacionado a critérios da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para autorizar a comercialização de alguns medicamentos.
Como a nova lei impacta o consumidor?
Para quem depende do SUS ou compra medicamentos, o principal efeito deve ser sentido no médio e longo prazo. Com mais produção nacional, a expectativa é de redução da dependência de importações, o que pode baratear custos e garantir abastecimento em crises. Além disso, a geração de empregos qualificados no setor farmacêutico pode aquecer a economia.
Perguntas Frequentes
Quando a nova lei entra em vigor?
A lei foi sancionada nesta segunda-feira (20) e já está em vigor, com a instituição da Estratégia Nacional do Complexo Econômico-Industrial da Saúde.
Quais produtos serão priorizados?
A lei foca em medicamentos, vacinas, equipamentos e insumos médicos considerados estratégicos para o SUS.
O que são Empresas Estratégicas de Saúde?
São empresas que atendem requisitos de produção, pesquisa e inovação no país e terão prioridade em compras públicas e acesso facilitado a crédito do BNDES.
A lei vai reduzir o preço dos medicamentos?
A expectativa é que o estímulo à produção nacional reduza a dependência de importações e, com o tempo, possa impactar os preços, mas não há garantia imediata.
O que foi vetado na lei?
Três vetos foram feitos: um para adequar às regras do Mercosul, outro sobre contrapartidas tecnológicas para importação e um terceiro relacionado a critérios da Anvisa.
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